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1 min de leituravida

Falando ao vento

O ritual por trás desses textos: um charuto, um café e nenhuma pauta.

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Lido por um clone de IA da minha voz.

Quase tudo que acaba aqui começa do mesmo jeito. Eu sento de frente pra janela com um charuto e um café e falo, em voz alta, pra ninguém, sobre o que estiver passando pela minha cabeça. Depois guardo as partes que sobrevivem a serem escritas. Tenho chamado isso de cartas pra minha filha, mesmo sendo, na maior parte do tempo, eu falando ao vento.

O charuto normalmente é pequeno. Não tenho o costume de fumar charutos pequenos, mas um pequeno quer dizer que eu paro antes de falar por uma hora, e uma hora de mim pensando em voz alta é pedir muito de qualquer um, inclusive do meu eu do futuro. Sempre esqueço de tirar a cinta até ela estar quase pegando fogo. Tem um lugarzinho óbvio pra tirar e eu me desespero mesmo assim. Da última vez acabei cortando com a tesourinha da Flora. (Flora, se você estiver lendo isso daqui a quinze anos: sim, aquela tesourinha.)

No café eu entrei de verdade esse ano. Não só beber, mas entender de onde ele vem, as variedades, a torra. O último era do sul de Minas, uma torra um pouco mais forte do que eu costumo pegar. Com açúcar. Todo mundo que me conhece já sabe disso, e eu não vou mudar.

Não estou analisando nada nesses momentos. Nunca foi essa a intenção. É a hora da semana em que eu paro, fico de frente pra janela e digo o que penso sem checar se está pronto. Depois, uma parte vira isso aqui.

Não vou estar fumando sempre, porque eu preciso viver bastante. O próximo talvez seja só um café.