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1 min de leituravida

Por que este blog existe

Notas pra Flora, pra quem vier depois e pra versão de mim que esquece.

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Lido por um clone de IA da minha voz.

Sinto falta de uma história que ninguém me contou: a da minha família. Não a parte grande, a pequena. Com o que meus avós se preocupavam na minha idade, o que achavam que iam virar, no que estavam errados. Ninguém anotou. Eu sinto essa falta mais do que esperava, e não quero que ela se repita do meu lado.

Então isso aqui é a correção. Não é um livro de memórias, nada tão organizado. São notas. Coisas que eu gostaria que a Flora tivesse, e quem vier depois dela, dos anos em que eu ainda estava tentando entender quase tudo. Uma parte vai ser sobre software, porque é o que eu faço o dia inteiro. A maior parte, não. Deixo em público porque assim sou obrigado a terminar a frase.

Também tenho uma memória horrível. Gostaria de dizer que vou estar aqui pra contar tudo isso pessoalmente, e pretendo estar, mas até lá vou ter esquecido metade. Escrever sai mais barato do que confiar em mim.

Tem um motivo egoísta também. Eu acredito nos dados. Daqui a dez anos quero olhar pra trás, ver o que eu pensava agora e descobrir o que fabricou a pessoa que eu virei. As semanas passam devagar, os meses passam devagar, os anos passam correndo. Até um ano atrás eu não fumava charuto, não me vestia como me visto, não pensava o que penso. Se isso continuar acontecendo, e eu espero que continue, quero as versões antigas guardadas.

Acho que isso aqui vai valer mais do que qualquer herança financeira que eu consiga deixar. Essa é a aposta, pelo menos.